terça-feira, 7 de abril de 2009

"Todas as cartas de amor são ridículas"

Como não se faz mais nada a esta hora, num dia de semana, estava a olhar para o tecto e a pensar, que foram precisos 18 anos para eu escrever uma carta de amor pela primeira vez. A maior parte das raparigas normalmente, teria escrito a sua primeira carta de amor entre os 11 e os 14 anos... pelo menos as que hoje-em dia são da minha idade ou mais velhas... as mais novas não faço ideia... mas isto já é dissipar do pensamento inicial...

Enfim, todo este pensamento levou-me a lembrar das aulas de português sobre Pessoa, e depois sobre o heterónimo Álvaro de Campos, no poema:



"Todas as cartas de amor são ridículas"

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,

Ridículas. As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas. Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas. A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Sim, estou de férias e estou-me a lembrar de uma coisa que não gostei de dar na escola... pode não parecer mas estou sóbria. Só que de vez em quando, os neurónios acordam e se calhar até pensam em coisas assim =x

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